A partir dos White Papers de 1922, 1930 e 1939, analise a mudança na política britânica para árabes e judeus na Palestina

A partir dos White Papers de 1922, 1930 e 1939, analise a mudança na política britânica para árabes e judeus na Palestina.

O movimento sionista à Palestina ganhou força após 1917, com a Declaração Balfour. Este documento, que demonstrava a simpatia britânica em relação ao estabelecimento de um Estado Judaico, foi o principal fomentador dos movimentos migratórios para o território palestino. No entanto, não houve por parte do povo árabe presente na região simpatia à criação do Lar judeu na Palestina. Observando esta tensão e buscando esclarecer o que estava disposto na declaração, o governo inglês emitiu o primeiro White Paper (Livro Branco).
O propósito desse documento é diminuir as tensões presentes entre os dois povos, mostrando que a presença da comunidade judaica no território não implica ameaças ao povo árabe. O documento assinala que a Declaração Balfour não reflete o desejo do governo em transformar o território palestino em um Estado judeu. O White Paper de 1922 mostra-se a favor da instalação de um lar judeu no território, mas afirma que isso não implica na soberania judia no lugar. A proposta contida no documento é de manter árabes e judeus no mesmo território, promovendo a paz e a boa convivência entre os dois povos.
Apesar de a declaração deixar claro que o estabelecimento de um lar nacional judeu não implicaria em ameaça ao povo árabe, a reprovação do movimento sionista persiste. A partir da década de 1930 o conflito entre árabes e judeus ganha mais força, tendo como marco os atentados ocorridos no Muro das Lamentações em 1929. É emitido então um segundo documento britânico para tratar das tensões entre Israel e Palestina: o White Paper de 1930. Emitido pelo Lord Passifield, o documento busca tratar do conflito e restringir o movimento migratório judeu à Palestina. O segundo White Paper critica o movimento sionista, apontando que a política judia prejudicava o desenvolvimento econômico dos árabes. Explicitava ainda que tal iniciativa não poderia prejudicar os povos árabes lá estabelecidos. Os judeus entenderam o documento como prejudicial. A pressão judia contra o documento ganhou força no mundo.
O conflito continuou, alcançando proporções cada vez maiores. Buscando solucionar a guerra entre Israel e Palestina, foi criada uma Comissão real para tratar do caso. A Peel Comission tinha como propósito estudar o conflito a trazer uma solução pacificadora. A solução encontrada pela comissão foi dividir o território em três entre palestinos, judeus e árabes. A proposta foi renunciada e o conflito seguiu, ganhando cada vez maiores proporções.
Com o advento da Segunda Guerra Mundial, a Grã Bretanha já não apresentava mais condições de administrar o território palestino. Buscando conter o conflito entre as duas partes, foi lançado então o terceiro White Paper em 1939. O documento, que mais uma vez buscava conter o movimento migratório para a Palestina, previa a independência da região para 1948. O terceiro White Paper apontava ainda que, relativo à independência do território, deveria ser estabelecida uma Palestina governada por árabes e judeus.
A restrição migratória desta vez foi contabilizada em números: 75 mil imigrantes judeus no período de cinco anos. Após o período estabelecido a imigração ocorreria dentro do estabelecido pela maioria árabe. Essa medida gerou protestos e manifestações contra o documento. Houve restrições ainda na área relativa à compra e transferência de terras por parte dos judeus. Neste ponto o documento previa o fim da transferência de terras em localidades específicas, de modo a assegurar terra à produção agrícola árabe. Desse modo, o governo britânico controlaria a transferência de terras, promovendo restrições para garantir posses à população árabe.
Nota-se uma mudança na postura britânica em relação ao movimento sionista na Palestina desde a emissão do primeiro White Paper. Inicialmente o documento é lançado com o propósito de acalmar o povo árabe em relação à migração judia, mostrando que tal efeito não implicaria em perdas por parte da população palestina. No entanto, ao desenrolar das tensões e dos conflitos na região, a Grã-Bretanha passa a adotar uma postura mais restritiva no que concerne ao movimento sionista no território. Apesar de não lograr muito sucesso, os documentos emitidos após 1930 buscam salvaguardar os interesses palestinos na região. Infelizmente o proposto não é cumprido, resultando no conflito entre dois povos até os dias atuais.