O Administrador Financeiro e a Empresa

O Administrador Financeiro e a Empresa

RESUMO
Em uma empresa a administração financeira é pedra fundamental para o desenvolvimento do patrimônio. Essa função pode ser exercida por pessoas ou grupos de pessoas.
O administrador financeiro dispõe de dados que auxiliam tanto o seu trabalho, quanto para os outros departamentos que fazem a projeção da empresa no mercado.
A definição também pode ser a partir de um conjunto de conceitos que ajudam a organizar o pensamento das pessoas e organizações.

Palavras Chave: Financeiro; empresa; mercado.

1 INTRODUÇÂO
A função financeira compreende na obtenção de recursos para pagamento das despesas e na aplicação dos lucros com objetivo de obter a maior rentabilidade possível, isto é, aplicar o necessário e guardar fundos para uma possível defesa contra riscos de não se pagar uma divida. Este será o assunto abordado neste trabalho.
Segundo Gitman 2002 a ausência de uma administração financeira pode causar os seguintes problemas:
 Incoerência nas informações fundamentais: saldo de caixa, valor de estoque de mercadorias, valor de contas à pagar e a receber, despesas fixas e financeiras. Consequência da falta de registro adequada das transações realizadas;
 Demonstrativo de resultados inexistente: sendo impossível concluir se a empresa esta sendo lucrativa ou tendo prejuízo;
 Margem de lucro ilusória: causando erros no preço de venda, pois não se conhece o custo real do produto ou serviço;
 Desconhecer o volume e a origem dos recebimentos: bem como o volume e o destino dos pagamentos, isso pois não é elaborado um fluxo de caixa, um controlo diário da movimentação de caixa;
 Ausência do balanço patrimonial da empresa: causando falta de informação real do mesmo;
 Desorganização das retiradas de pró-labore pelos sócios: enquanto o correto é estabelecer um valor fixo para a remuneração dos sócios;
 Não conhecer o ciclo financeiro das operações da empresa: e assim não administrar com coerência o capital de giro;
 Deixar de ter um sistema de informações gerenciais (fluxo de caixa, demonstrativo de resultados e balanço patrimonial): deste modo não se consegue fazer uma analise e planejamento financeiro da empresa.

2 META DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
Quando alguém se dispõe a investir sua poupança em uma empresa em vez de aplica-la em alternativas mais seguras, está disposto a assumir certos riscos, em troca de um aumento no seu patrimônio econômico ou riqueza pessoal.
Assim, se pode admitir que o objetivo primordial de cada empresa é o de maximizar a riqueza de seus proprietários. Essa riqueza é representada pelo valor de mercado da empresa, ou seja, pelo preço que seria alcançado na venda dos direitos de participação no seu capital social.
O valor do patrimônio liquido decorre de registros contábeis dos valores históricos das transações realizadas. Seguindo esse raciocínio é efetuada a correção monetária de determinados itens do balanço, que corresponde a atualização dos valores de acordo com a perda do poder aquisitivo da moeda.
Em um mercado de capitais plenamente desenvolvido as cotações alcançadas pelas ações nas bolsas de valores devem refletir o valor de mercado das empresas. A médio prazo os preços das ações demonstram quanto o mercado esta disposto a pagar pelas frações do capital de cada empresa.
O fato de uma empresa não ter ações cotadas em bolsa não constitui impedimento na determinação de seu valor de mercado. Simplificadamente pode-se dizer que o valor de mercado de uma empresa corresponde ao valor atual de seus lucros futuros. Assim seu valor de mercado é determinado pela capacidade de gerar lucros.
A meta da administração financeira coincide com os objetivos básicos dos proprietários e acionistas. As decisões financeiras são orientadas para o aumento do valor de mercado da empresa. Isso consiste na maximização da riqueza dos acionistas que constitui algo mais amplo e mais profundo do que a maximização dos lucros.

3 ATRIBUIÇÕES DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO
Podemos dizer que o administrador financeiro é o individuo ou grupo de indivíduos preocupados com:
- A obtenção de recursos monetários para que a empresa desenvolva as suas atividades e expanda sua escala de operações;
- A analise da maneira mais eficiente com a qual os recursos obtidos são utilizados pelos diversos setores e nas varias áreas de atuação da empresa.
O administrador financeiro é um membro do grupo assessor da alta direção da empresa. Sua função esta situada bem perto do nível mais alto da estrutura organizacional de uma empresa. A ele designam-se as seguintes atribuições:
a) Analise de registros e informações contábeis. A administração financeira utiliza a contabilidade como principal fonte de dados internos, para as tarefas a serem executadas. O administrador financeiro só utiliza esses dados na medida em que possam ajuda-los a fazer projeções.
b) Projeção da movimentação financeira. Tem por objetivo aferir o grau de liquidez da empresa, verificar se a empresa encontra-se em funcionamento, ou seja, se tem capacidade de pagar suas dividas nos prazos contratados e fornecer os recursos para sustentar o nível previsto de operações.
c) Aplicação de fundos excedente. Para obter o maior rendimento possível, através de uma forma rápida de resgate suficiente grande para recuperar o dinheiro no caso de necessidade.
d) Fornecimento à alta administração de informações sobre as perspectivas financeira futuras da empresa.
e) Elaboração de planos para fontes e uso de fundos, a curto e longo prazos, levando-se em conta os custos das fontes e lucros possibilitados pelas aplicações.

4 AREAS DE DECISOES FINANCEIRAS
De forma bastante abrangente, podemos identificar três áreas de decisões financeiras:

 Decisões de investimentos;
 Decisões de financiamentos;
 Decisões relativas a destinação de lucros.

4.1 DECISÕES DE INVESTIMENTOS
As decisões de investimentos do administrador financeiro determinam a combinação e o tipo de ativos constantes do balanço patrimonial da empresa. A combinação refere-se ao total de recursos aplicados em ativos circulantes e em ativos permanentes. Estabelecidas essas metas, o administrador financeiro deve fixar e procurar manter alguns níveis de qualidade para cada tipo de ativo circulante. Deve também decidir quais são os melhores ativos permanentes a adquirir, e saber quando os ativos existentes precisam ser modificados, substituídos ou liquidados.
As decisões de investimentos também refere-se tanto a administração dos ativos quanto a implementação de novos projetos.
Com a rápida evolução do mercado as empresas sentem a necessidade de sempre estar inovando. Dessa forma nenhuma empresa pode sentir-se segura em uma boa posição conquistada, pois um concorrente poderá lançar novas ideias.
Desta forma, as empresas são impelidas a desenvolver novos projetos e tomar decisões sobre sua implantação. Normalmente isto significa a necessidade de vultosas somas adicionais de recursos e uma elevação no risco dos empreendimentos.
Afinal, investimentos em novos ativos fixos têm efeitos prolongados sobre a vida da empresa e uma decisão inadequada poderá comprometer irremediavelmente o seu futuro. Além disso, tais investimentos geralmente implicam aumentos de aplicações e recursos no capital de giro.

4.2 DECISÕES DE FINANCIAMENTOS
As decisões de financiamentos relacionam-se com o passivo da empresa e abrange duas áreas:
1. Harmonia entre financiamentos, a curto e longo prazo deve ser estabelecida.
2. É que as fontes individuais de financiamento, a curto ou longo prazo são as melhores, em um dado instante;
Enquanto as decisões de investimento envolvem importantes aspectos de natureza não financeira, as decisões de financiamentos constituem responsabilidade exclusiva do administrador financeiro.
As decisões de financiamentos visam montar a estrutura financeira mais adequada às operações normais e aos novos projetos a serem implantados na empresa.
As questões envolvidas nas decisões de financiamentos referem-se a composição das fontes de recursos, como segue:
• Qual deveria ser a proporção entre recursos permanentes e temporários?
• Quanto de recursos próprios e quanto de financiamento a longo prazo?
• O reinvestimento de lucros seria suficiente para atender as necessidades de recursos próprios?
• O mercado reagiria bem ao lançamento de novas ações?
• Qual seria o impacto dos custos financeiros provocados pelos financiamentos a longo prazo e pelos empréstimos a curto prazo?
• Em vez de comprar ativos fixos não devíamos arrenda-los?
Estas e outras questões envolverão analises profundas das alternativas existentes e de suas aplicações futuras.

4.3 DESTINAÇÃO DO LUCRO
O lucro obtido em cada exercício social representa a remuneração de investimento dos proprietários da empresa. Quanto desse lucro deveria ser do negocio? Essa indagação revela que a politica de distribuição de dividendos esta diretamente relacionada com as decisões de financiamento.
Distribuindo apenas uma pequena parcela dos lucros, a empresa, ficara menos dependente das fontes onerosas de recursos e ampliara a participação do capital próprio na estrutura financeira.
Se a rentabilidade da empresa for satisfatória, pode-se supor que, a maioria dos proprietários prefira abrir mão dos dividendos. Porém, não deve-se ignorar que sempre existirão acionistas desejosos de realizar, pelo menos, parte dos lucros.
Uma empresa bem sucedida terá sempre novo plano de investimentos, que implicam a necessidade de recursos adicionais. Parte dessas necessidades poderá ser atendida com a destinação de lucros e o restante terá de ser financiado através de outras fontes.
Uma politica de dividendos adequada favorece a manutenção dos preços das ações de níveis elevados e isto poderá garantir o sucesso de futuros lançamentos de novas ações no mercado.

5 ENFASE NO FLUXO DE CAIXA
O contador tem como função básica desenvolver e fornecer dados para avaliar o desempenho da empresa, apurar sua situação financeira e pagar impostos. O contador usa um método contábil chamado de regime de competência dos exercícios contábeis.
Já o administrador financeiro esta mais preocupado em manter a solvência da empresa, proporcionando os fluxos de caixa necessários para honrar suas obrigações e adquirir e financiar os ativos circulantes e fixos, necessários para atingir a meta da empresa. Ao invés de reconhecer receita no ponto de vendas e despesas, quando incorridas, reconhece a receitas e despesas somente com respeito a entradas e saídas de caixa.
Enquanto o contador contabiliza todas as vendas, mesmo aquelas que ainda não tenha sido efetuado o pagamento, o administrador financeiro só ira reconhecer a venda após seu pagamento.
Comparando as duas formas, pode-se perceber que enquanto sob o ponto de vista contábil a empresa é bastante lucrativa, de acordo com a ótica financeira é um fracasso. Sem entradas de caixa para saldar suas obrigações, a empresa não sobreviverá a despeito de seu nível de lucros.
Ao administrador financeiro compete olhar além das demonstrações financeiras de sua companhia para perceber problemas que estão surgindo ou já existem. A falta de fluxo de caixa originou-se de contas a receber não cobrada.

6 CONCLUSÃO
Neste trabalho podemos perceber que a função financeira vai muito além de pagamentos e recebimentos. Ela abrange a analise de diversos dados que demonstram a solidez da empresa.
O administrador financeiro tem metas que coincidem com os objetivos dos proprietários, seu trabalho resume-se em aumentar o patrimônio da empresa consequentemente de seus donos e acionistas.
O administrador financeiro contribui consideravelmente com os conhecimentos técnicos que conduzem de forma harmônica as atividades e operações existentes em função do negocio da empresa. Ele enfatiza o fluxo de caixa, ou seja, entradas e saídas de dinheiro.
Com todos os dados e decisões financeiras ele consegue manter o grau de solvência da empresa aumentando assim seu valor no mercado.

7 REFERÊNCIAS
GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 7ª Edição. Editora Harbra. São Paulo, 2002.
HOJI, Masakazu. Administração Financeira – Uma abordagem Prática. 5ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 2004.
ARTHUR, Andersen. Normas e Práticas Contábeis no Brasil. 2ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 1994.