Germinal

Germinal

O título do livro e do filme nos confunde um pouco e, se não estivermos a par da temática da obra de Émile Zola, que deu origem ao filme de Claude Berri, podemos passar por esse filme na locadora sem percebê-lo e sem dar a ele o devido valor. Não nos enganemos, essa produção do cinema francês merece ser vista e apreciada tanto pelos amantes da sétima arte quanto pelos estudiosos da literatura, da história, das relações humanas e dos movimentos de trabalhadores.
Inicialmente, para escrever o livro, seu autor Zola viveu dois meses como minerador. Acordando, comendo, bebendo e trabalhando nas mesmas condições que eles. Isso deu a ele um retrato bem realista de como era suas vidas em diversos aspectos.

O contraste da obra é proposital, tem por objetivo acirrar os ânimos de quem lê e fazer com que as pessoas tomem partido (obviamente dos trabalhadores), por isso, deve-se destacar quando se trabalhar esse livro, a questão ideológica. Como obra que procurou ser fiel aos acontecimentos do período em que foi escrita, a perspectiva para os operários não é das melhores.
atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão do século "Germinal" refere-se ao processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma XIX na França em relação à exploração de seus patrões; nesse período alguns países passavam a integrar o seleto conjunto de nações industrializadas ao lado da pioneira Inglaterra, entre os quais a França, palco das ações descritas no romance e representadas no filme.
A forma contundente como as ações ocorrem no filme tornam a crueza dos acontecimentos extremamente chocante para os espectadores, no entanto, esse discurso um tanto quanto agressivo por parte do diretor Berri tem o firme propósito de conclamar os espíritos da audiência e chamar a atenção para as dificuldades e a rudeza do mundo operário do século XIX.
Vilipendiado, roubado, esgotado, trabalhando em condições totalmente impróprias, inseguro, sujeito a acidentes que podem ceifar-lhe a vida ou decepar-lhe um braço ou uma perna, assim nos é mostrado o proletariado francês nas telas. Inserido na escuridão das minas de carvão, sujo, cumprindo jornadas de 14, 15 ou 16 horas, recebendo salários baixíssimos e tendo que ver sua família toda se encaminhar para o mesmo tipo de trabalho e péssimas condições, pouco resta aos trabalhadores senão a luta contra aquelesque os oprimem.
A obra literária é do período que marca o surgimento da Internacional Comunista, por isso há menções a Marx e Engels e também ao anarquismo (um dos personagens centrais da trama assume o discurso dos pensadores que propuseram o anarquismo até as últimas conseqüências, mesmo tendo em vista as desgraças que isso poderia causar naquele contexto específico).

A maneira como era os trabalhos deixou bastante clara a oposição entre necessidade humana e necessidades materiais (produção). O movimento criado pelo autor baseava-se no processo de gestação e maturação dos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores à exploração de seus patrões na observação fiel da realidade e na experiência de forma a mostrar que o indivíduo será definido por sua hereditariedade e ambiente.

Comparando-o com as obras literárias observamos de imediato que o mesmo trata de centraliza-se no movimento realista - naturalista. A objetividade com relação às tomadas de decisões, os ideais propostos que eram votados para a massa popular, deixa bem claro essa verdade.

Podemos falar também que na obra naturalista a razão prevalecia muito as emoções, a arte de modificar a realidade era vista injustamente pelo poder dominante. Os próprios funcionários da mina sempre questionavam seus direitos perdidos, porque para a classe burguesa isso não valeria de nada. Seus objetivos financeiros estavam acima dos propósitos dos trabalhadores.

Os escritores desse período procuram descrever com maior realidade os costumes e as relações entre os seres humanos. A luta dos trabalhadores mineiros foi o marco inicial para aquisição de uma política de igualdade.

O que prevalecia na época era a dominância de uma classe sobre a outra. A cidadania ameaçada pelas relações de produção fizera com que um grupo social não mais aceitasse passar necessidades e privações pela falta de igualdade. Aqui percebemos uma característica típica das obras realistas-naturalista: a burguesia dominando sobre o assalariado. Os primeiros vives das regalias do trabalho escravo dos mais fracos. Não muito diferente do que é apresentado em nosso atuais dias.

Os senhores eram proprietários da força de trabalho ( dos escravos), dos meios de produção ( terras, pão, minas, instrumentos de produção) e do produto do trabalho.
A burguesia possui as minas ou as fábricas, os meios de transportes, as terras, os bancos etc. O trabalhador não é obrigado a ficar sempre na mesma terra ou na mesma situação: “ele é livre” para não trabalhar, mas na pratica precisam de trabalhar para não morrer de fome.

A OBRA.

A obra literária é do período que marca o surgimento do movimento internacional comunista e relata a realidade dos operários franceses nas minas de carvão no final do século XIX, tendo como cidade principal Montsou, a qual dependia economicamente da mineração. Os trabalhadores se submetiam a um surpreendente processo de produção, onde se via uma precariedade nas condições de trabalho, miséria, exploração. Um trabalho árduo.

Na época os operários trabalhavam sofridamente em busca de dinheiro, e o que recebiam não dava para se manter e nem sua família, além de que o numero de salário por pessoa garantia o sustento de toda família. Assim, quando alguém morre ou deixa a família era necessário substituir-la imediatamente, para não baixar a renda familiar. Tratava de um trabalho desumano, impiedoso onde todos de uma família trabalhavam independentemente de idade.

A exploração do trabalho era continuada, os empregadores estavam preocupados com as notícias da economia e da política, as quais estavam afetando seus negócios, dando a mínima para os empregados que além de trabalhar em situações precárias sofriam penalidades tais como multas decorrentes da pratica do trabalho, sofriam diminuição de salário, não recebiam horas extras ou sequer algum adicional. Vilipendiado, roubado, esgotado, trabalhando em condições totalmente impróprias, inseguro, sujeito a acidentes que podem ceifar-lhe a vida ou decepar-lhe um braço ou uma perna, assim nos é mostrado o proletariado francês. Inserido na escuridão das minas de carvão, sujo, cumprindo jornadas de 14, 15 ou 16 horas, recebendo salários baixíssimos e tendo que ver sua família toda se encaminhar para o mesmo tipo de trabalho e péssimas condições, pouco resta aos trabalhadores senão a luta contra aqueles que os oprimem.

Assim, vendo-se necessário tomar providências e para isso é estimulado pela chegada de um novo operário, que já possui vivência em termos de criação e fomentação de movimentos reivindicatórios. O primeiro passo dessa dupla passa a ser, então, criar condições de sobrevivência para os trabalhadores tendo-se em vista que uma greve poderia se prolongar por um longo período de tempo, criam uma caixa de resistência, com a qual todos os operários deveriam contribuir. A diminuição dos salários e o pouco caso dos patrões em relação à segurança e a saúde dos trabalhadores aumenta ainda mais as tensões.

Injustiça por parte dos patrões, que vivem uma vida regalada, e de luxo. E adotam uma posição positivista em relação aos trabalhadores, acham que por darem moradia e o pequeno salário, está tudo muito bom.Quando ocorre a crise no mercado mundial de carvão, a saída é a
desvalorização da mão-de-obra, ou seja, a diminuição dos salários.

O conflito repercute e a mina é reaberta com uma pequena melhoria salarial, porém as condições de trabalho continuam precárias, e o clímax se dá
com mais desabamentos. O filme retrata a dura realidade, a exploração dos trabalhadores, a mordomia da classe burguesa, e a revolução socialista e
anarquista.

CONCLUSÃO.

Conclui-se que os realistas eram anti-românticos, objetivos e racionalistas. O "Germinal", nos mostra a situação de miséria em que se encontravam os trabalhadores franceses; as relações entre os operários e as máquinas; entre capitalistas e operários; as greves e o sindicalismo; as necessidades humanas em contraste com as necessidades materiais.

BIBLIOGRAFIA

ZOLA, Émile. Germinal. 1 ed. São Paulo: Cia das Letras, 2000.

Filme: Título Original: Germinal, Título Traduzido: Germinal, Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 1993, durações: 2 Horas e 40 Minutos.

Acesso em 22 Out. 2011.

Acesso em 22 Out. 2011.