Evangelho de Marcos - As ações de Jesus, como Educador

Leia todo o evangelho de Marcos. É um livro curto e cheio de ação. Enquanto lê, procure perceber as ações de Jesus como educador: sua visão de mundo (sua idéia de realidade última, sua idéia de ser humano, de história, etc...), seus métodos, sua relação com seus “estudantes”.
Destaque em um documento de três folhas no mínimo, os aspectos da postura pedagógica de Jesus que lhe chamou a atenção. Para cada destaque, faça um comentário de um parágrafo ou mais. Leia com atenção tentando discernir o que o um olhar não treinado de cientista como o seu não perceberia de imediato. Escreva seu texto de sorte que ele não seja mera descrição do óbvio, mas fruto da sua observação cuidadosa e reflexão inteligente.

Ao fazermos a leitura do evangelho segundo apóstolo Marcos, gostaria de salientar que a priori existiu uma dificuldade em separar a figura de Cristo como salvador, dono da razão e do saber divino e filho de Deus, e vê-lo apenas como educador, é indissociável em virtude de termos sido “educados” com essa visão.
Porém diante da solicitação, é perceptível um jeito diferente de ensinar, de como ele se portava diante da tarefa de doutrinar os ensinamentos de seu pai ao povo, afinal como é de nosso conhecimento foi essa a sua missão. Ele não diferenciava gênero e lugares para proferir o seu conhecimento, os relacionamentos entre seus seguidores eram de forma contínua ultrapassando as barreiras de tempo e lugar era possível perceber uma convivência ideal para com eles.
O ensino de Jesus era uma comunicação que transbordava a essência e o verdadeiro sentido da palavra educar que tem como etmologia do latim e-ducere: tirar de, mudar, transformar. No evangelho de Marcos podemos observar as estratégias, se assim podemos conceituar, empregadas pelo educador Jesus para atingir o seu público e levar-lhes seus ensinamentos. Resolvemos transcrever algumas passagens deste livro e analisá-las por uma visão metodológica e pedagógica.
1.Pregação e Milagres em Cafarnaum(1: 21-22, 38) 21 Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, ali ensinava. 22 E maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.
a.Durante essa passagem podemos perceber a presença não imposta de uma autoridade, mas reconhecida por todos através da maneira pela qual a pessoa demonstra e transfere o conhecimento que detém.
No versículo 38 E ele lhes disse: Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue; porque para isso vim. Já nesta é notório a preocupação em atingir a todos indistintamente, seja de gênero, lugar, acesso, ou qualquer classificação feita.
2.O paralítico (2:5-11) 5 E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados. 6 E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7 Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? 8 E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? 9 Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? 10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11 A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.
a. Neste episódio vemos de um lado o questionamento feito pelos escribas e de outro a preocupação em como se dirigir a quem realmente interessa, ou seja, fazer com que seus “alunos” entendem e percebem o porque das coisas.
3.Vocação de Levi (2:21-22) 21 Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha; doutra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior. 22 E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos.
a.Mostra com isso que antes de ensinarmos algo novo a alguém precisamos preparar este para receber tais conhecimentos, ou até mesmos transformá-lo, assim como transferir confiança e segurança, afinal um educador precisa de credibilidade para ser seguido e absorvido.
4.As parábolas do Reino (4:4-9) 4 E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram; 5 E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda; 6 Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se.7 E outra caiu entre espinhos e, crescendo os espinhos, a sufocaram e não deu fruto. 8 E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem. 9 E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
a.O Ensinamento por intermédio de parábolas, é utilizado até hoje com o intuito de se fazer entendido e compreendido por todos, bem como demonstra a certeza de que seus ensinamentos serão absorvidos e interpretados de acordo com cada um, além de mostrar a relação e a existência de um grau de aptidão em cada ser humano.
5.A lâmpada (4:22-23) 22 Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
a.Com essas palavras percebemos o comportamento de que o conteúdo do conhecimento não deve ser guardado ou detido por poucos sendo ferramenta de dominação ou status.
6.O Grão de mostarda (4:33-34) 33 E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender. 34 E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos.
a.Percebemos a sua didática principalmente com o uso de comparações e parábolas porém ricas em detalhes e ensinamentos com a preocupação do uso de linguagem de fácil entendimento e compreensão.
7.A Cananéia (7:26-30) 26 E esta mulher era grega, sirofenícia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio. 27 Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 28 Ela, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos. 29 Então ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha. 30 E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demônio já tinha saído.
a.Todo educador tem que estar pronto e apto para réplicas e opiniões diferentes de seus discípulos, porém deve reter seu julgamento e aceitar quando correto a posição do aluno, nada o diminuirá com essa atitude, ao contrário se engrandecerá.
8.Milagre Surdo Mudo (7:36-37) 36 E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam. 37 E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e talar os mudos.
a.O verdadeiro mestre e educador não se interessa apenas pelo sucesso, ou pela fama pública, e sim na certeza de que seus ensinamentos serão propagados e compreendidos.
9.Os saduceus e a ressurreição (12:24-27) 24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus? 25 Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus. 26 E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? 27 Ora, Deus não é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito.
a.O educador sempre auxiliará na interpretação e explicação do conhecimento.
10.Oferta da Viúva (12:42-44) 42 Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo. 43 E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro; 44 Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.
a.O bom educador escuta e aceita colocações, opiniões e novos conteúdos de quem quer que seja, afinal qualquer pessoa possui conteúdo a oferecer e deve ser considerado, até mesmo para que seja colocados em discussão e juntos possam retirar o aprendizado da questão.
Inferimos da leitura que métodos pedagógicos, didáticas são apenas ferramentas na transferência e transformação do saber, além de observarmos que à vontade e a humildade em ensinar traz uma universalidade na linguagem, e seguidores na continuidade desta transferência.

Parte 2.

Preencha o quadro abaixo. No lado esquerdo existem as referências. Para quem não está familiarizado, Mateus 5-7 quer dizer ler todo o capítulo 5 e 7 do evangelho de Mateus. Marcos 6:1-6 quer dizer ler os versos de 1 até 6 do capítulo 6.

Tentem colocar um pouco de lado as suas cores religiosas, e tentem ver Jesus com um novo olhar: como educador. Bom proveito e bom estudo.

Referencia Abordagem básica Efeito
Mateus 5-7; 7:28-29
Marcos 6:1-6

A necessidade do educador em mostrar obter credibilidade do conhecimento que está transmitindo A legitimidade oriunda da segurança e confiança adquirida pelos alunos de seu domínio do conhecimento.
Lucas 9:1-6, 10
Lucas 10: 1-24

As relações entre o pragmatismo do método e da pedagogia dentro da academia.
E a forma de como o saber é multiplicado Estar consciente de que os alunos já vêm com seus valores e algum conhecimento de vivencia, tentar relacionar e transformar em conjunto possibilitando interações entre a teoria e prática.
João 14:7-11
Marcos 3:4—5; 32-35
Marcos 4:39-40
Mateus 16:13-18 Desenvolver a capacidade no alune de refletir e questionar o que esta sendo transmitido. O resultado perfeito entre o aluno e seu entendimento e a certeza do educar.
Lucas 11:1, 2

O desenvolvimento de referenciais e caminhos construídos em conjunto para o aluno percorrer A provocação e desenvolvimento de novos conceitos a partir da desconstrução de seus pré-conceitos.

Durante a aula do dia 25/05/05 tivemos três momentos para refletir: o primeiro levou-me ao conhecimento de um autor referencial na educação do país e do mundo, Gilberto Freire, onde o mesmo através de pesquisa de campo introduziu na pedagogia um novo método de ensino e aprendizagem, em que as duas partes interessadas são ao mesmo tempo receptoras e formadoras do processo. Porém acredito que necessito de mais inflexões e contato com sua obra para compreender e absorver suas colocações.
Em um segundo momento, tivemos contato com uma profissional muito bem conceituada tanto no convívio com colegas do ramo como com seus alunos, a profa. Sonia Calado, onde nos fez refletir sobre a real vontade de servir ao outro em seu processo de transformação interior e conceitual, fomentando o respeito, o compartilhamento e a humildade no caminho a ser percorrido pela educação, sendo por isso a sua boa relação entre os que se relacionam.
Em um terceiro momento discutimos texto de Palmer e Asman, sobre quem somos e devemos ser como educadores, onde me chamou a tenção de duas colocações uma de que ensinamos quem nós somos e de que o ensino hoje é um processo violento de competitividade, questiono então conseguiremos nós futuro educadores, transformarmos esse sistema, diante da exacerbada presença da lógica instrumental e funcionalista da sociedade em que vivemos?