Drogadição no Contexto Escolar

Drogadição no Contexto Escolar

A relação entre juventude e drogas se entrelaça de tal modo em nossos dias que se torna quase impossível não pensar sobre esta problemática, que está presente cotidianamente em distintos espaços, que vai desde o familiar, passando pelas ruas e bairros, cidades e campos, atingindo de forma marcante o ambiente escolar e clínico, sem esquecer o espaço da mídia, chegando até as dependências de delegacias, presídios e casas correcionais. Segundo Fonseca (2006), a sociedade brasileira possui, assim, um enorme problema social, que de modo indistinto atinge a todos, ricos e pobres, habitantes da zona rural ou urbana, homens e mulheres e em especial a juventude.

Na tentativa de enfrentar o grave problema gerado pelo consumo de drogas lícitas ou ilícitas, muitas instituições buscam promover ações, que basicamente atuam de maneiras ambíguas. Uma forma diz respeito à prevenção, esclarecendo jovens dos perigos de consumir tais substâncias, outra refere-se ao tratamento, que busca resgatar a saúde dos que se tornaram viciados. Segundo os especialistas, a prevenção é a melhor forma de lidar com essa questão, assim, a escola vem sendo apontada como local primordial para o início dessas atividades.
Percebe-se então que a escola vem assumindo, além da tradicional função de instrução, um papel de relevo como agente socializador dos indivíduos, tornando-se importante meio não só na formação pessoal e profissional, mas também na construção das relações sociais, que cada pessoa estabelece, suplantando o papel da família.

A questão das drogas vem assumindo grande importância na dinâmica escolar, a drogadição invadiu o espaço educativo de forma tão contundente que vem assustando os profissionais da educação, pois esses se vêem despreparados para atuar diante desta realidade. Para Fonseca (2006), a escola tem sido apontada como local de primeiro contato com as drogas, o que tem ocorrido em torno dos onze anos, na maioria das vezes através dos próprios colegas. Essa experiência ocorre em uma fase da vida permeada de questionamentos, inquietações e insegurança, pois entre a puberdade e a adolescência o ser humano vive um momento de crise, quebra na relação familiar, de auto-afirmação entre outros jovens, o que favorece o uso de substâncias psicoativas, por trazer segurança, coragem e tranqüilidade. Essa situação, todavia, pode ser uma porta para o vício, que em muitos casos promove sofrimento, angústia, loucura e morte.

Conforme Morais e Souza (2000), a escola encontra-se diante de um novo desafio e, nesta circunstância, educar para prevenção apresenta-se como a melhor alternativa para o enfrentamento do consumo de drogas entre estudantes. Prevenção significa dispor com antecipação, impedir ou pelo menos reduzir o consumo.

O ato de prevenir o abuso de drogas admite três níveis de intervenção: primária, secundária e terciária. Na prevenção primária o objetivo é intervir antes que o consumo de drogas ocorra. Cabe à instituição escolar promover um estilo de vida saudável nos alunos, desde crianças bem novas até o jovem adulto A prevenção secundária destina-se aos estudantes que apresentam uso leve ou moderado de drogas, que não são dependentes, mas que correm este risco. A prevenção terciária dirige-se ao usuário dependente.

Para Morais e Souza (2000) na prática escolar, a prevenção ao abuso de drogas torna-se viável por intervenções nas condições de ensino e, principalmente, são direcionadas ao projeto político pedagógico, à gestão escolar e à abordagem educacional, como apresentados na sequência.
Quando a prática de prevenção está atrelada ao Projeto Político Pedagógico, entende-se que ela está inserida num quadro mais amplo de uma educação para a saúde, a prevenção prioriza a adesão aos princípios da vida, a formação de valores e o conhecimento da natureza e do efeito das substâncias psicoativas. A estratégia é enfatizar as drogas lícitas e de fácil acesso, isto é, álcool, tabaco, solvente e medicamento, pela elevada porcentagem de uso entre os alunos, mostrando que todas são substâncias psicotrópicas. Não se pode deixar de discutir o caráter atrativo das drogas: prazer aos sentidos, ter “imagem transgressora”, ser símbolo de “estar na moda”. Igualmente, precisa ser discutida a trajetória do envolvimento com psicotrópicos, evitando-se autoritarismos didáticos, ou mesmo despertar a curiosidade inadvertidamente.

O modelo de gerenciamento deve favorecer a participação coletiva e responsável na definição de princípios, objetivos e decisões a serem tomadas. Algumas medidas gerenciais que incrementam a educação preventiva são: a escola deve oferecer serviços de saúde gratuitos, por equipe multifuncional, aos alunos que apresentem transtornos decorrentes do uso indevido de drogas. É importante acolher e envolver as famílias com a educação dos filhos, promovendo encontros para discutir questões relativas ao consumo de drogas e os modos de prevenção. Para os educadores, instituir cursos, seminários, debates e reciclagem sobre o tema. Ainda, criar entre as escolas uma rede de informações e intercâmbio de conhecimentos no campo da prevenção contra o uso indevido de drogas.

Por fim, a Abordagem Educativa propõe a Educação Afetiva cuja ênfase está na personalidade do aluno. A educação afetiva defende a modificação de fatores pessoais que são vistos como riscos ao uso de drogas, explorando situações-limite. Primeiramente, deve-se priorizar o autoconhecimento, a auto-estima, a auto-afirmação, as relações interpessoais, a capacidade de lidar com ansiedade, a habilidade de decidir, a habilidade de lidar com grupos, a capacidade de resistir às pressões grupais, a comunicação verbal. É igualmente importante fortalecer a resiliência, o saber dizer não, a solidariedade, o pertencimento, o saber ouvir, a autonomia, a criatividade, o respeito às diferenças, o respeito aos valores. E, quando necessário, enfraquecer a ansiedade, o desamparo, a vulnerabilidade, a insegurança, os estigmas e preconceitos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FONSECA, M. S. Prevenção ao abuso de drogas na prática pedagógica dos professores do Ensino Fundamental. Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas – SP. (2006)

MORAIS, Maria de Lima Salum; SOUZA, Beatriz de Paula (orgs.). Saúde e Educação - Novos rumos no atendimento a queixa escolar. São Paulo: Casa de Psicólogo, 2000.